Início > Artigos > A nossa internet já está ficando adolescente. Já está ficando madura.

A nossa internet já está ficando adolescente. Já está ficando madura.

Há alguns anos atrás, ter um site na internet era o suficiente para a maioria das empresas. Existia um tal de webmaster que chutava o escanteio e fazia o gol. Ele era o cara da informática que aprendeu HTML (linguagem de marcação para criação de páginas na internet) num momento bastante oportuno. Esse cara aí ganhou muito dinheiro. As empresas queriam ter um site na web e precisavam desse cara que falava essa linguagem específica para internet, o HTML.
Na época, o webmaster fazia um pouco de tudo: atendia o cliente, fazia os layouts, programava, configurava o banco de dados no servidor, fazia as animações em flash, publicava o site e se preocupava um pouco menos sobre questões hoje já amadurecidas como acessibilidade e otimização para sites de busca (SEO). Aliás, na época, acessibilidade era ter fonte preta sobre o fundo branco e para otimizar um site era necessário somente incluir as meta-tags e inserir títulos interessantes nas páginas.
Eu me lembro que as empresas queriam um site com uma animaçãozinha na página inicial (que demorava uma eternidade para carregar naquele modem de 56kbps, que, inclusive, muitos usuários ainda o utilizam atualmente) e que somente após o usuário passar por toda aquela animação interminável era que ele conseguiria navegar no site. Quem quisesse ver o site, tinha que esperar. O usuário vinha em segundo plano. E em primeiro as novidades tecnológicas. Ah! Tinha também um applet java que fazia coisas bem legais mas que todos desenvolvedores faziam aquele monte de desenho seguir o ponteiro do mouse. Super prático e funcional. E tinha também um relógio que se movimentava seguindo o mouse e irritando o usuário, afinal, se o usuário quisesse saber a hora era mais fácil olhar no canto inferior direito do monitor.
Nostalgias à parte, um fenômeno interessante começou a ocorrer: os desenvolvedores começaram a se preocupar com “algo um pouco mais importante” na internet: os usuários. Afinal, sem o usuário, mesmo que todos os computadores do mundo estivessem conectados na internet numa velocidade fantástica, ainda assim não haveria internet. Foi aí que surgiu a web participativa, onde o usuário é que dita as regras. Veio o orkut e o seu conceito de comunidade. Começamos a ver uma individualização dos usuários. Estes agora têm personalidades (fotos, descrição, interesses e participam de comunidades com pessoas diferentes, mas com interesses em comum). O orkut veio para dar personalidade aos internautas. Não existem mais uma massa de consumidores passivos, e sim usuários únicos, com interesses e desejos diferentes dos demais. Veio o youtube permitindo que qualquer usuário fosse capaz de publicar seus vídeos. Os blogs agora permitem que qualquer indivíduo possa escrever sobre o que lhe der na telha. O wikipedia é um acervo com informações diversas onde o próprio usuário é quem administra o conteúdo. Os programas open source que criam comunidades de desenvolvedores em volta deles que, sozinhos, criam subprodutos que melhoram os softwares para eles mesmos.
Apareceu também uma tecnologia chamada AJAX que permite interação em tempo real com páginas da web. O grande responsável pela disseminação dessa tecnologia foi o Google com seu Gmail. Só que agora, o foco principal não está mais na tecnologia, e sim na experiência do usuário.
Além disso, atualmente existem metodologias de usabilidade de sites que, mesmo depois do site pronto (mas ainda na versão beta) ele é testado por usuários comuns que fazem parte do público alvo, e, se constatado problemas de usabilidade, o site é reformulado para que o usuário tenha uma experiência otimizada e sua utilização seja facilitada, ou seja, quem dita como um site deve ser é a pessoa que o utilizará. Mesmo depois da versão final do site no ar, as empresas contam com equipes especializadas que monitoram a interação de seus internautas, medindo a audiência e identificando possíveis bugs no sistema para correção quase que imediata.

Outras formas de navegar na internet também apareceram. Agora já é possível navegar por mobiles, aumentando ainda mais a gama de possibilidades.

O usuário está no comando, o tempo todo conectado, onde quer que ele esteja, seja num computador ou num aparelho de celular. Ele está presente, participativo, questionando, aprovando ou desaprovando novas tecnologias. O usuário está no poder e ditará o futuro da internet.
Afinal, será que o Twitter estaria onde está se os usuários não o aprovassem?
Anúncios
Categorias:Artigos
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: